Pedro Moura Ferreira; Pedro Alcântara da Silva
Este artigo analisa a evolução do número de óbitos e o perfil das causas de morte na população activa portuguesa ao longo dos últimos vinte anos (1981-2001). Essa evolução mostra que a morte tende a concentrar-se nas idades intermédias, à medida que a população mais jovem e mais velha (mais de 65 anos) se vê afastada do mercado de trabalho. A par desta mudança etária, verifica-se também uma tendência de feminização provocada pelo protagonismo crescente e continuado das mulheres na esfera laboral.
Do ponto de vista do perfil das causas de morte, os dados analisados mostram que os activos com estatuto socioprofissional mais elevado morrem mais tardiamente, tendo por principais causas de morte as doenças do aparelho circulatório e de tumores malignos, enquanto os trabalhadores manuais, especializados e não especializados, tendem a morrer mais cedo, muito devido a lesões traumáticas e envenenamentos. Em termos da idade média, as diferenças entre os grupos situados na parte superior e inferior da pirâmide social permanecem significativas ao longo do período analisado, levando a concluir que os progressos na redução da desigualdade perante a morte entre os mais ricos e os mais pobres tiveram um desenvolvimento limitado.
Palavras-chave: diferenças sociais; causas de morte; mortalidade; desenvolvimento socio-económico; desigualdades sociais perante a morte.